Festival Intergalático de Rádio Difusão
1. Apresentação
O Festival Intergaláctico de Radiodifusão é um evento que busca incentivar e reunir a produção independente e amadora de rádio em um espaço tanto virtual como físico. Diante da mesmice e da falta de imaginação das linguagens que nos atravessam diariamente pelo rádio e pela televisão, nos parece faltar um incentivo e um espaço a imaginação, a experimentação e ao dialógo real. É esse dialógo que gostaríamos de promover com o festival. Um dialógo que permita as rádio livres e comunitárias do Brasil se (re)conhecerem não só pela luta diária contra a repressão do estado policial, mas pela sua produção de conteúdo inovadora e aberta a novos discursos, estéticas, linguagens e formatos. O Festival estará baseado em um portal, que funcionará como um repositório de programas de rádio para serem baixados e trocados entre produtores do Brasil e da América Latina. E para intensificar esse evento, o Festival contará com o melhor da produção enviada sendo tocada em salas de audição acusmáticas, em rádios comunitáras e livres do Rio de Janeiro, Salvador e Recife, com debates, oficinas e outras atividades.
2. Objetivo Geral
O objetivo geral deste projeto é promover a troca cultural entre agentes da sociedade, estimulando o intercambio de saberes adquiridos pelo exercicio do fazer e do pensar novas possibilidades de linguagens no meio radiofônico. Escapando da repetição e homogeinização nos modos de ser e fazer rádio, desta forma, é possivel conhecer e cultivar a diversidade da cultura brasileira, ampliá-la e realizá-la como ação, promovendo e fortalecendo redes que compartilhem experiências interessantes e criativas.
3. Objetivo Específico
O objetivo especifico é realizar um Festival que se apresente tanto como um evento, quanto como um portal na Internet, que agregue e incentive a produção de conteúdo voltado para o meio radiofônico, o desenvolvimento de linguagens e o dialógo entre produtores de rádios comunitárias e livres. Convidar diversos segmentos da sociedade envolvidos com educação por intermédio do rádio, sejam estes vinculados a produção de conteúdo tanto nas cidades como no campo, para debater os modos de produção e realização de projetos e programas envolvendo ao mesmo tempo temáticas ou conteudos pertinantes às diversas realidades locais e ao próprio ensino da linguagem radiofonica. A idéia é repensar os padrões vigentes da produção radiofônica no país, cuja concepção está sempre ligada ao setor comercial ou estatal resultando em padrões de linguagens repetitivos. E indo além, reconhecer essa produção que escapa ao meio hegemônico fazendo-a a dialogar no processo de escuta.
3. Justificativas
A falta de criatividade é consequencia direta de qualquer processo mediado por mercados oligopolizados. No Brasil essa premissa é realçada pela aliança histórica entre oligarquias, o que é chamado de coronelismo eletrônico. Essa lógica empobrece os processos por onde se instaura e, especialmente na área da comunicação, ganha contornos que beiram o trágico. Esse modelo resulta, no limite de nosso pensamento, em cerceamento da diferença do pensar, comprometendo a possibilidade de ação e critica daqueles que se envolvem ou como realizadores ou como ouvintes, potencialmente produtores de novos processos
Dessa forma, todo o potencial de meios de comunicação como o rádio e a TV são hoje reduzidos a uma insistente repetição de um conteúdo pobre, estático e propositadamente perverso. Na TV o “padrão de qualidade” impõe modelos de narrativa clássica e um profissionalismo baseado no fetiche tecnológico como paradigmas a serem seguidos, como naturalmente bons. No Rádio, a mesmice se repete na cadência das negociações entre empresários de gravadoras e de emissora de rádio, impondo um modelo artificial de homogeneidade. É só girar o botão e ouvir que tudo soa igual. É só mudar de canal e perceber que vivemos de telecompras, novelas, proselitismo religioso e um jornalismo que faz questão de não contextualizar nada. Essa é a experiência comum dos brasileiros. E tendemos a achar que ela é única possível, por sua onipresença.
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A digitalização do espectro promete ampliar os canais de difusão, mas a produção livre e alternativa de rádio ainda carece de um espaço de desenvolvimento. Para que a criatividade e a diversidade se tornem frequentes nestes novos canais, evidenciados por outros atores, novas linguagens, estéticas e discursos, é preciso que uma nova postura cultural seja declarada, caso contrario, um novo repositorio de antigas mentalidades ocupara de forma reprodutora ouvidos órfãos, ávidos por novos sons. Por isso, urge-se ampliar irrestritamente o apoio a todo tipo de realização radiofonica que apresente propostas com potencial experimental, que vem sendo alijadas dos meios de difusão constituídos hoje como concessões publicas.
Nos últimos anos o audiovisual vem sendo previlegiado com o surgimento de dezenas de festivais, movimentos de produção alternativa, cineclubes, que, com muita competência intensificam as produções e ampliam o número de pessoas envolvidas, desenvolvendo e promovendo a arte do audiovisual brasileiro. Nos parece que o meio radiofônico precisa ser incentivado através do fomento e de espaços de dialógo. Por isso, como um festival de cinema, O Festival Intergaláctico de Radiodifusão, pretende ser este espaço dual onde esse dialógo possa ser contemplado.
A experimentação em rádio não é novidade. O campo da rádio-arte vem sendo pensado com muito vigor no meio artístico. O espaço do festival pretende ser também o lugar onde o rádio do cotidiano,das rádio comunitárias e livres se encontre com a produção artística e experimental.Face ao modelo profissional de “qualidade técnica” estreito e homogêneo, incentivar uma produção amadora (daqueles que amam) ampla, rica e diversa. Tirar o peso da repetição de nossas costas reunindo novas linguagens, experimentos, a divesidade de vozes, sotaques e entendimentos. E a melhor maneira de dialogar é saber ouvir. Por isso a realização de um festival. Escutando uns aos outros poderemos escapar da tirania da repetição e do esvaziamento. Poderemos criar novas categorias, novas subjetivações, novas interfaces entre os meios técnicos e o cotidiano. Festivais de cinema independente por todo o mundo vêm incentivando a produção amadora, trazendo novos atores e diversidade para a linguagem. O FRL quer cobrir o buraco dos meios que invadem as casas das pessoas. Em tempos de debate sobre a comunicação pública, nada melhor do que incentivar uma comunicação que seja realmente pública.
4.
Metodologia
Festival em REDE
Como base do festival, o portal do festival receberá atenção especial pois articulará toda rede de troca durante e depois do encontro presencial. O próprio portal onde as atividades serão divulgadas será o espaço para onde as produções serão enviadas e poderão ser classificadas e avaliadas pela própria interação do público do site. Dessa maneira o festival também se realiza online. Por exemplo, todas as produções enviadas entrarão em filas de reprodução através de RSS e Podcast permitindo que ouvintes se cadastrem para receber novas produções enviadas automaticamente. Dessa maneira, o portal será um catalisador do festival presencial e por isso, de certa maneira o festival em si mesmo. Também no portal, rádios que queiram participar durante o festival com o cruzamento de transmissões analógicas e digitais poderão se cadastrar e assim facilitar o fluxo em rede para os dias do festival.
Rádios em Rede
As apresentações de programas acontecerão de modo que o analógico e o digital possam conviver ao vivo e em rede, disponibilizando em tempo real os áudio-experimentos. É prática comum no Rizoma de Rádios Livres a prática do arrastão de rádios, rádios que se conectam pela Internet e transmitem umas as outras analogicamente em seus locais de atuação. O festival pretende incentivar essa prática durante os dias de atividades para buscar o fortalecimento de laços entre rádios de diferentes locais e diferentes experiências, principalmente da América Latina. No último dia uma grande festa das rádios acontecerá com todas as rádios participantes e cadastradas no portal retransmitindo-se mutuamente. A partir desta rede o Festival ganhará um sentido prático apresentando uma mostra local e virtual de projetos e programas criados nestes encontros. Isto significa uma possibilidade inédita de fazer rádio de modo colaborativo presencial e virtualmente.
Intervenções Radiofônicas
Em paralelo, algumas intervenções radiofônicas acontecerão em locais específicos das cidades envolvidas, ampliando a rede de discussão e debates, uma vez que esta será estendida a pontos móveis da cidade. Maneiras de fazer rádio como a Radio Janela, a Radio Mochila, a Radio Kombi e Rádio Feira Livre, são apenas alguns dos muitos exemplos de realizar novos modos de produção radiofonica. O objetivo é descontruir o objeto técnico rádio e as barreiras entre a arte e o cotidiano.
Debates transmitidos na rádio
Haverá mesas de debates presenciais com convidados que tenham propostas inovadoras em diversos aspectos contando ainda com as sessões transmitidas pela rede, conectando diversos participantes em diferentes pontos do Brasil. Serão tratados temas que envolvam toda cadeia produtiva do rádio, questoes de linguagens, além de discussões sobre a Radio Digital no Brasil. Este material registrado alimentará uma rede online além de um portal onde todo material produzido ficará disponivel e acessável por qualquer pessoa interessada. Os debates previstos serão:
Rádios Livres: Tecnologia e Sensibilidade
Espectro Aberto e Rádio Digital: Novas possibilidades de uso do rádio
Radio, arte e cotidiano: a linguagem como meio de expressão
Integração América Latina
Faz parte da metodologia do Festival estimular o dialógo entre rádios de todo mundo. Entretanto, nesta primeira edição o projeto visa estimular as conexões entre experiências de rádio latino-americanas, promovendo um intercâmbio de culturas na tentativa de enriquecer as temáticas que não se limitam ao território brasileiro - um trabalho de apresentação e discussão do movimento de re-existência de produção inédita de rádio que extrapola todo mainstream dos midias no continente. O rádio tem tido papel significativo no contexto político da América Latina. Em países como Argentina, México, Venezuela e Bolívia, diversas rádios livre têm sido o meio de divulgação de contextos e situações políticas quando a mídia de massa não o faz com competência e honestidade. A América latina também tem sido terreno fértil para artistas que trabalham com rádio em intervenções, projetos e afins. Por isso é importante criar canais de troca de fluxos sonoros e discursivos, papel que o Festival pretende cumprir.
Oficinas
Como forma de divulgar o conhecimento técnico de rádio irão acontecer oficinas de produção, transmissão e contrução de rádios. A idéia é desmistificar o aparato técnico envolvido no rádio, questionando uma separação entre técnica e cultura, paradigma presente na produção artística ocidental. Apropriar-se da técnica é tarefa fundamental para o processo de autonomia dos meios diante da mídia de massa homogênea. As oficinas oferecidas buscarão contemplar todos os processos envolvidos na criação de uma rádio, tanto analógica, quanto digital.
Oficina de Streaming e Podcast em Software Livre - 4 horas
Oficina de Construção de Mini-Transmissores - 4 horas
Oficina de Edição de áudio em Software Livre - 4 horas
Oficina de experimentação em Espectro Aberto - 4 horas
Oficina de Paisagem Sonora - 4 horas
Oficina de Rádio Documentãrio - 4 horas
Mostras Auditivas
As mostras auditivas serão o espaço onde toda a produção enviada pelos participantes do festival para o site será reproduzida. Elas acontecerão nas salas específicas das mostras competitivas e também em espaços públicos nas cidades envolvidas. As mostras em salas fechadas e escuras irão buscar uma nova experiência para o rádio, que busque dar uma maior atenção a produção sonora, criando um ambiente similar ao do cinema.Isso ressignifica a maneira atual predominante de ouvir rádio, que em geral acontece de modo individual por intermédio de equipamento personalizado. Elas serão divididas de acordo com a categoria da produção e os ouvintes serão estimulados a votarem qualificarem no site o seu nível de fruição das obras.
Categorização das produções
Para incentivar o desenvolvimento de linguagens novas serão colocadas a disposição dos partcipantes algumas categorias de inscrição. Com isso, não pretende-se fechar o escopo de criação mas ,pelo contrário, ampliá-lo, instigar outros olhares para o rádio. De fato, a produção
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Rádio Documentário
* Radio Conto
* Radio-Paisagens
* Rádio Culinária
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Rádio Experimental
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Rádio Para Crianças
* Rádio Ecologia
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Rádio Novela
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Jornalismo Alternativo
5. Desenvolvimento
Uma equipe de produção utilizará softwares open source para conectar todos os equipamentos à rede para transmissao dos debates e para a confecção dos programas colaborativos. Equipamentos como projetores, lap tops com editores de som e texto estarão a disposição dos participantes para execução das produções dos programas e do compartilhamento de saberes com outros agentes culturais. Parcerias locais e à distancia efetivarão ações de desenvolvimento e montagem das redes colaborativas de produção, as quais contarão com a participação dos agentes envolvidos nas oficinas dentro da própria mostra.
6. Conclusão
Com a realização deste projeto, existirá uma plataforma de trocas e realizações significativa para todos os envolvidos na temática da produção de rádio no Brasil. Fundar uma base de dados expressiva no que se refere a questões muito pouco debatidas como as relacionadas a estética radiofonica, espectro aberto, torna este evento num encontro singular de criações colaborativas em rede capaz de sugerir a ampliação da criatividade e da experimentação. Expandir a liberdade de pensar e de viver é operar com o que há de mais valioso do ser humano.
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