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To be or not be, that's the question, but, uncle paulo, everyone wants to be

fala galera,

existem várias frentes do movimento de conhecimento livre
que esperam que a galera da casinha transforme-a num
espaço realmente autônomo (ou seja, não-dependente de
verbas de uma ou outras instituição em especial).

vocês têm algo em mente pra pagar as contas sem depender do minc?
vocês estão agregando metas de ação que extrapolem os pdC?

sentem que dificuldades nisso?

abração de sapo caolho

==++==

independente é sempre uma coisa relativa. se tem contas
a pagar, precisa ter alguém que pague, o que gera algum
nível de dependência, mesmo que seja de pessoas. o importante
acho que é autonomia, e a casinha tem potencial pra isso.
ela tem sediado umas articulações interessantes, e acho
que tem potencial pra continuar mesmo sem minc, mesmo
em outro lugar.

tipo, a casinha física é detalhe. a movimentação que tem
rolado por lá é que me interessa.

==+==

o que é uma relação de iguais? é todo mundo "se foder pra pagar o aluguel"?
eu vou pelo outro lado, acredito na articulação langlois pra ajudar a bancar
espaços. essa coisa de todo mundo fazer dinheiro no mundo e cortar um
pedaço pro corre coletivo tem um outro lado que me incomoda: se eu vou
pedir pro minc bancar o aluguel do IP, não rola. mas se eu trampo pra uma
agencia de publicidade, ganho 10 paus por mês e colaboro com 500 contos,
é capaz de ser visto como mártir da autonomia.

==+==

o ip:// começou sem nada, com equipamento pessoal e alguns móveis achados
na rua. achei o recibo hoje de três meses que pagamos adiantado depois do
digitofagia rio, ele data de 8 de outubro de 2004 e tem como signatários
tatiana e ruiz.

em 2005 me mudei para o rio grande do norte. ricardo ficou por lá até
2006, anos em que muitos de seus integrantes passaram a colaborar com
projetos do governo de forma mais direta. dos 4 primeiros - eu, ruiz,
djahjah e romano - absolutamente todos passaram por isso, e posteriormente
largaram o espaço ou o .gov. ao mesmo tempo novas pessoas aproximaram-se,
de coletivos que considero importantes como S.O.M., rádio pulga e cmi,
sinceramente acho isso foda, fico muito feliz.. e não posso negar que
sinto muito orgulho de ler que hoje ele é esse delicioso espaço que a
marília descreveu, que mais do que busca exerce a auto-gestão. ainda com
muitos problemas aprofundados como comprometimento, assunto que está sendo
hoje discutido na lista // eu já acho que é um lance local da galera do
rio e gostaria de saber como isso acontece em outros espaços como o
ystilingue..?// mas que acaba sendo discutido todo mês justamente pelo
*pagar contas*..

pessoalmente, eu não acho que teria problemas em aceitar apoio financeiro
circusntancial, se for para desenvolver um trabalho. até pq trabalho assim
há 4 anos. sempre tive que ter meu trabalho paralelo para me manter. faço
isso sem crises e nunca deixei de trabalhar com mais afinco no
independente.

mas estamos aqui falando da proposta de labs, e esses espaços já existem,
são autônomos e dizem que não é financiamento que precisam. e oras, a
ideologia da autonomia é a mesma do SL - que se baseia numa idéia comum,
clara, pragmática, voluntária, cooperativa, pós-política e atemporal que é
a liberdade. e liberdade só é criada com desaprisionamento. e é exatamente
o que ocorreu com o saravá.. esses espaços/projetos já funcionam e tão
fazendo um puta trampo! na verdade somos nós que precisamos dos espaços
não eles da gente!

e sim, já tivemos algumas idéias, como o spacebank, que foi feito pensando
nisso, num *lavar dinheiro* simbólico. pois não podemos negar que por
nosso trabalho pessoal e coletivo em muitos níveis nos dá cada vez mais
acesso a esse bolo, mesmo que ainda não tenha comido pessoalmente nada
dele e que meus amig@s alertem estar envenenado..

mas e agora? contruimos um novo mundo sozinhos pois sabemo-nos
auto-suficientes ou hackeamos o hackeador que sabemos hackear-nos? vamos
tentar nos ater a olhar para o presente e para o passado pra responder
estas respostas..

==+==

Trocando em miúdos: Todxs na casinha estariam dispostos a não serem o referencial de equipe a trabalho de pontos de cultura? Estariam todxs na casinha dispostos a trocarem o papel de meninos do cláudio prado para um grupo em colaboracao, principalmete, com outros grupos?

Penso, sinceramente, que o espaćo físico, em sao paulo, nao se mostra mais um problema. Mas, estariam dispostas as pessoas a se locomoverem de vila madalena até o pombas urbanas, se fosse só este o espaćo que restasse?

Mais uma vez, acho que vale, sim, pensar nos projetos de captacao de recursos para espacos, com langlois ou quem for, mas acho que vale pensar mais ainda no para que vamos usar esse apoio. Para inflar carreiras políticas, nossas ou adversas?

Estariam os frequentadores da casinha dispostos a aprender com os Ratos de Porão, e, tornarem-se um pouco ratos no porão também?

Autonomia vem da independencia: nao monetaria, mas ideologica e principalmente psicológica. Autonomos são os que percebem que hippies velhos, donos de fogoes importados, burgueses arrependidxs são mais um na multidão, e talvez contra esses formatos mesquinhos caminham nossas multitudes autonomas. Passando por eles, e não dependendo deles

==+==

acho que pra sermos autônomxs temos de
nos tratar autonomamente.

casinha é tag. descentro é tag.
sei (ouvi delxs) que tem uns lá querendo escolher
suas responsabilidades pessoal e coletivamente
sem depender de devoradores de impostos
ou traficantes de vícios. assim como aqui,
na presidência do haiti, na padaria ou
na igreja batista da minha mãe. só que é
um passo mais ou menos complicado pra
um e pra outro. tá na tribo ou só os fortes
sobrevivem? compaixão é demodé?

enfim, acho muito fácil alimentar a eterna
chama da rivalização, já que ninguém é
perfeito e o tempo é curto pra gente
se conhecer melhor. guerra (mais uma)
mesmo assim?

tô viajando ou é sempre "separar para juntar"?

==+==

como é a segunda pessoa que fala que estive *armada* ou *autoritária*
quero dizer que essa não foi a intenção. estou em crise também oras! na
lista do ip:// criticada por não ser libertária, aqui criticada por
ponderar os termos em que a busca de autonomia é feita. tudo que falo é
portanto um sintoma disso. de que não tenho (temos) princípios claros e
coesos. percebo sim que procuramos uma mudança, senão não gastaria meu
tempo aqui, mas sem deixar de notar que muitas vezes usamos os mesmos
paradigmas que criticamos, q não conseguimos nos articular com os
diferentes caminhos que existem, que co-existem e que têm aparentemente
os mesmos objetivos. precisamos de estratégias para não nos afastar das
pessoas e comunidades de onde nós mesmos surgimos.

nunca coloquei uma cerca como vc falou cris que separa os de dentro e os
de fora, não há julgamento de bom ou ruim, certo ou errado, sp ou rio de
janeiro! foi em teresina que ouvi do mhhob que não queriam publicar no
EL e que havia uma pressão prá isso. é uma questão que lido no dia-a-dia
do meu trabalho quando evito citar o nome do projeto em que trabalho nas
oficinas que dou.

==+==

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